Nomad Mercado incentiva o consumo com alma

Singularidades da feirinha conquistam e ensinam que design e sustentabilidade têm tudo a ver com os conceitos contemporâneos de comportamento

 

O consumo pelo consumo pode estar com seus dias contados. Esta é a impressão que se tem ao entrar no Nomad Mercado, a feirinha que incentiva processos criativos ressignificados. Até domingo, 08, na Sala Lindolf Bell, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, das  11h às 21 horas, mais de 50 expositores estarão mostrando produtos da cena independente do design contemporâneo, moda, beleza, bem-estar, decoração, arte, artesanato, papelaria, perfumaria, alimentação, entre outros segmentos, mas sempre com o foco em sustentabilidade e no retorno ao natural. Cada um com uma história para contar. E olha que vale mesmo a pena ouvir.

“Aqui é um lugar para voltar a ser humano, olhar no olho, sentir a recepção de amor”, sintetiza Laura Pereira, uma das idealizadoras do projeto que já está na quinta edição. Ela e a sócia, Laura Toledano, desde a estreia, trouxeram este propósito. E vem crescendo em tamanho e conceito, se firmando como um espaço para fomentar uma cultura de compartilhamento de ideias inovadoras e de experiências memoráveis, numa atmosfera multisensorial.

“Usamos o design brasileiro para ‘vender’ a nossa alma”, reforça Cris Rosenbaum, curadora da Feira na Rosenbaum – um projeto paulista com proposta bem semelhante, mas que nasceu primeiro. Já está bem conhecida e estabelecida há oito anos e nesta edição do Nomad veio como convidado especial, com 22 designers de lá para reforçar ainda mais o grupo daqui. Todos atentos aos novos comportamentos e às atitudes que refletem o estilo de vida de quem traz na essência a preocupação com um mundo mais atento e consciente, ao mesmo tempo, mais plural.

O Nomad também questiona o modelo de consumo atual promovendo uma forma mais próxima de se relacionar com os produtos e com os pequenos produtores. Visitando a feita é possível alinhar diálogos, observar a escolha cuidadosa das marcas, ter acesso a artigos de qualidade e se envolver com as relações de parceria, declaram as criadoras do evento catarinense. Dentro desta concepção acontece naturalmente o contato entre os empreendedores, que se unem como que em rede, apoiando, apostando e cuidando um ao outro.

 

Boas histórias

Maria Mercadante Bedrikow é arquiteta de formação, com um olhar mais direcionado ao paisagismo. Sempre gostou de planta, uma coisa que veio da mãe, da avó. Também passou a infância e a juventude em lugares com uma conexão grande com a natureza – Armação, Ponta das Almas, na beira da Lagoa. Depois de alguns cursos de paisagismo e do que viu em viagens pelo Brasil e fora também, se aprofundou nas flores. Percebeu que não tinha uma floricultura com coisas mais diferentes, buquês mais soltos, flores secas. Assim nasceu, há cinco anos, a We Plant, no bairro do Rio Tavares, Sul da Ilha. Com um trabalho delicado, encantador e que reflete um estilo bem pessoal, Maria enxergou uma brecha de mercado absolutamente receptivo. “Eu acho que vai fazer sucesso”, diz. Quem já viu, tem certeza que essa etapa já chegou.

Bruno Dalto, é de Cachoeiro de Itapemirim (ES), também formado em Arquitetura. Do desejo de completar o design de interior aguçando o olfato a partir do cheiro de nostalgia, materializou suas emoções numa linha de perfumes-homenagem. Inspirado na própria família, criou duas fragrâncias batizados como os nomes dos ascendentes. Assim, ‘Jacira’ tem cheirinho de flor de cerejeira, suave como a maciez de uma roupa e aconchegante como a casa da avó. ‘Realindo’ esbanja o frescor das frutas cítricas colhidas pelo avô no pomar, com um fundo de terra molhada pela chuva. ‘Janete’, mãe doce, mas nunca frágil. Por isso, ali tem uma pitada de pimenta. E ‘Elseir’ representa o pai habilidoso e cuidadoso, interpretado num bálsamo com notas de cânfora, para confortar as dores da vida.