Uma catarina em Hollywood

Moyale Guardini estreia neste outono o seu primeiro trabalho em Hollywood, e já como protagonista no filme Grace, interpretando uma bailarina

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Ela é uma mulher decidida, com rosto de traços fortes e olhar penetrante, que refletem bem a personalidade de quem não teve medo de sair de casa aos 17 anos para seguir os seus sonhos. Modelo desde os 11, Moyale Guardini achou que era hora de sair de Jurerê para ir para São Paulo, um centro maior. Não exatamente pra ser uma supertopmodel. Na verdade, queria mesmo era acabar de cursar o colegial por lá para estar preparada para a faculdade e para os próximos passos que daria.

Trabalhando como modelo pagou os seus estudos até se formar em Rádio e Televisão. Aí já atuava como apresentadora de tevê em vários canais – abertos e por assinatura -, período em que acabou fazendo um curso de autoconhecimento com Fátima Toledo, preparadora de elencos. Eram 20 alunos, 19 atores. E foi justo Moyale a eleita como o destaque da turma. A luz se acendeu, ela se deu conta de que não adiantava mais negar o seu destino. Se rendeu à possibilidade de se tornar atriz, estar no casting de alguns filmes – entre eles A Noite da Virada, com Marcos Palmeira e Luana Piovani - e participar da série Dupla Identidade, com Bruno Gagliasso.

 

Bom, resumidamente, foi assim o início da história da carreira da atriz que hoje está prestes a acompanhar, emocionada, a estreia do seu primeiro filme internacional como protagonista. Ela faz uma bailarina que sofre um acidente, o fio da trama em Grace, do diretor Michael Weil, produção toda locada em Los Angeles, para ser lançada com tapete vermelho em Hollywood neste outono, seguindo, depois para muitos festivais de cinema mundo afora.

“Mas não pensem que foi fácil. Tive uma longa trajetória até aqui. São quase 20 anos trabalhando, sempre com muito foco”, realça Moyale Guardini. Bastante tímida quando criança, foi incentivada pela mãe a participar de um curso de modelo com os então professores Paulo Zulu e Alex Eckshmidt – já famosos pelos trabalhos em passarelas nacionais e internacionais. Para se soltar mais, descontrair. Sempre bonita, desde bebê, não foram poucas as oportunidades que teve e que enfrentavam permanentemente o seu crivo sempre seletivo.

Moyale não tem ideia exata de quanto trabalhos fez, campanhas publicitárias, desfiles, produções em vídeo, entre muitos sucesso, convites - vários negados porque não cabiam no seu propósito. A morte prematura do pai, em 2014, entretanto - com quem tinha uma imensa e grata relação de amor e afeto - a trouxe de volta para Jurerê depois de 10 anos em São Paulo. “Eu precisava viver esse luto dolorido, estar mais perto da minha mãe e dos meus dois irmãos mais novos”, relembra, deixando evidente que ficou em dúvida quanto seu futuro. Porém, o apoio do amigos, especialmente atores da cena cultural, a fizeram entender que precisa continuar, que tinha um legado a ser cumprido.

 

Hoje são quase 20 anos trabalhando, os dois últimos em imersão total em Los Angeles, treinando o inglês para aperfeiçoar a língua até falar como uma californiana. E lapidando o talento, estudando cinema e fazendo cinema. “Meus sonhos eram muito maiores que Florianópolis. Meus pais sabiam disso. Minha mãe sempre me apoiou, meu pai sempre reticente, com medo, mas me conhecia e sabia que eu, muito independente, iria mesmo atrás desses sonhos”, reconhece. Bastante comunicativa, conheceu muita gente em Jurerê, pessoas eu se transformaram em amigos de verdade e que ajudaram a abrir caminhos.

 

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A partir daí, foi pura determinação. Além de estudar, trabalhar, fez estágio em Comunicação na Itália e soube escolher muito bem as suas oportunidades. Em Los Angeles criou e produziu a série de televisão Welcome to America, junto com mais dois escritores, aproveitando muito do que aprendeu na faculdade.

“As coisas sempre aconteceram, deram certo, porque encaro tudo com muito profissionalismo e dedicação. Para fazer Grace, por exemplo, tive que voltar às aulas de balé – que eu só tinha feito durante a infância. Foi lindo. O filme é maravilhoso. Ah! E num determinado momento aparece uma foto minha mesmo, quando criança, com a minha mão ao fundo. Acho que é uma forma de homenageá-la”, comenta, feliz. “Essa é a minha menina, sempre focada, deixou muita coisa para trás por conta da sua postura ética, idônea. Tem muita personalidade, uma pessoa de uma força admirável, enfrenta tudo!

 

Só que é uma criança por dentro, com um coração enorme”, orgulha-se a mãe, Mauren Guardini.

 

Olhos de mel

Moyale já nasceu com nome artístico, uma escolha da mãe, com o apoio de uma grande amiga. Moyale Guardini Trindade, com certeza, não precisa carregar os sobrenomes. Ao que tudo indica ela é mesmo única. “Nunca, nunca conheci ninguém com o meu nome”, confessa sorridente a atriz que diz gostar muito, e que já se acostumou com as perguntas sobre a origem.

 

Por curiosidade, foi em busca do possível significado. “É o nome de uma pequena e carente cidade africana, na divisa entre Quênia e Etiópia.

“Isso me despertou a vontade de poder fazer alguma coisa para ajudar refugiados, um desejo que vai ficando cada vez maior. E que o cinema talvez possa me possibilitar”, conversa, explicando que a ideia é tentar se envolver em alguma ação com crianças. “Tenho a real noção do panorama daquela região. Não tenho medo, ainda vou pra lá”, garante.

 

Ela diz que já fez contatos e que vai focar mesmo nos pequenos. “Quero proteger, ajudar. Lá é tudo muito desumano. E as pessoas precisam ser tratadas com respeito. Sou uma pessoas de muita fé, a fé move a minha vida, e eu vou conseguir”, garante com uma determinação tão grande quanto a doçura evidente na sua decisão.

* Produção de conteúdo para a Revista Estações Young/ Young Beleza e Estética