Vai um cafezinho aí?

Referência nacional no preparo de cafés especiais, barista Gisselle Schmidt desvenda lugares para identificar a relação das pessoas com a bebida   

 

O cheirinho do café instiga nossas melhores memórias afetivas, remetendo a sensações de conforto, muitas histórias ao redor do fogão e da mesa em família. A bebida, a segunda mais consumida em todo o Brasil, despertou também os sentimentos da barista Gisselle Schmidt, mestre no preparo de cafés especiais e comandante do premiado Café Psiquê em Florianópolis. Nesta temporada de inverno iniciou um projeto justamente para provocar essas emoções e conhecer histórias acerca da cultura do café em Santa Catarina e em outros Estados Brasileiros. "A ideia é conferir a produção local e qual o interesse das pessoas pelos cafés especiais, que carregam o maior grau de pureza e sabor", afirma a barista.

O ponta pé dessa aventura gastronômica aconteceu na Serra Catarinense, em companhia da também barista Jess Barros, percorrendo lugares como Bom Jardim da Serra, Lages, São Joaquim e Urubici - cidades conhecidas nacionalmente por apresentarem temperaturas de congelar os dedos. Não a toa, foi nesse contexto que elas procuraram identificar a relação das pessoas com a bebida, que além de esquentar, estabelece aconchego e afáveis relatos.

Nesse primeiro roteiro foram revelados lugares bucólicos e experiências com moradores e produtores. Em Bom Jardim da Serra, com o termômetro muito abaixo de zero, conheceram Dilmo. Em sua casa, que também serve de refúgio para turistas, a dupla apresentou um ritual comparativo entre o café tradicional - vendido em qualquer mercadinho, e o produto especial. "Ele anotou tudo sobre o processo, saboreou um produto de qualidade, e adiante contou sobre sua relação com a bebida em seu dia-a-dia", explica Jess. 

Em Lages, observaram de perto toda a estrutura da marca Guidalli, uma torrefadora e moedora tradicional na região, com quase sete décadas de existência, atualmente sob comando da 4a. geração da família de italianos e que dá nome a marca. Rodeadas pelas incríveis paisagens da Serra Catarinense, conheceram também pequenos comerciantes de iguarias típicas da região, como Dionatan e João Artismo, do aconchegante "Destino da Serra", e Janaine Benetti, da irresistível Casa do Queijo. 

Finalizado o primeiro destino, Gisselle Schmidt, levará adiante o projeto, para conehcer produtores locais, suas histórias e conexões com ocafé. A ideia é compartilhar essa experiência com outros baristas, em diferentes regiões do país, mas principalmente em Santa Catarina."No final dessa peregrinação será lançado um livro bem editado, contando tudo sobre a cultura do café e a relação da bebida com as pessoas, com grandes histórias e imagens de abrir o apetite", finaliza a barista.